Notícias

15 de setembro | 2023

Hospital de Amor apoia a mobilização “De olho nos olhinhos”

A campanha tem o objetivo de alertar a sociedade sobre a importância da detecção precoce do retinoblastoma, o câncer dos olhos mais comum na infância.

Assim como acontece em outros meses do ano, setembro também conta com uma importante campanha de conscientização: a do retinoblastoma – o câncer dos olhos mais comum na infância. O “Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma”, celebrado em 18 de setembro, tem o objetivo de alertar a sociedade sobre a importância da detecção precoce da doença, fator indispensável para garantir bons resultados no tratamento.

Mobilização “De olho nos olhinhos”.

A iniciativa ganhou força e uma visibilidade ainda maior! Após o casal Tiago Leifert e Diana Garbin revelarem (no ano de 2022) que sua filha, Lua (na época com apenas 1 ano e 3 meses), tinha sido diagnosticada com um tipo raro de câncer na retina, o retinoblastoma bilateral, os jornalistas assumiram a missão de alertar outros pais para os perigos da doença, enquanto a filha segue em tratamento.

Neste ano, o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB), o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), além de outras entidades médicas, promoveram a mobilização “De olho nos olhinhos”. E o Hospital de Amor – referência em tratamento oncológico gratuito de excelência, com o maior serviço de prevenção de câncer do país – é uma das instituições que apoia esta grande ação.

Mas afinal: você conhece os principais sinais e sintomas da doença nos olhinhos das crianças, ou sabe informações sobre os possíveis tratamentos? O Hospital de Amor entrevistou o oftalmologista da instituição, Dr. Tomás de Oliveira Castro Teixeira Pinto, para que você entenda melhor o assunto e esclareça todas as dúvidas. E, acima de tudo, para que você também esteja ‘de olho nos olhinhos’, nos ajudando a levar os pequenos mais cedo para realizarem seus tratamentos nos centros especializados.

Confira!

– O que é retinoblastoma?

R.: O retinoblastoma é o câncer dos olhos mais comum na infância e representa cerca de 2,5 a 4% de todas as neoplasias pediátricas.

– Qual é a incidência deste câncer?

R.: O retinoblastoma é um tumor raro, com cerca de 400 casos novos por ano no Brasil. Trata-se de uma doença da primeira infância, com maior incidência nas crianças abaixo de 5 anos de vida. De acordo com o Ministério da Saúde, a maioria dos casos – entre 60% e 75% – é unilateral (quando afeta um olho). Destes, 85% são esporádicos, e os demais são casos hereditários. Já o bilateral (quando os dois olhos são afetados), são quase sempre casos hereditários.

– Quais são os principais sintomas de retinoblastoma?

R.: O principal sintoma, presente em 90% dos casos diagnosticados, é a leucocoria – um reflexo branco na pupila, conhecido como ‘sinal do olho de gato’. Essa mancha esbranquiçada indica que uma fonte luminosa está incidindo sobre a superfície do tumor e impede a passagem de luz. Em fotos ou vídeos com flash, por exemplo, pode-se notar a leucocoria em um ou ambos os olhos (em olhos saudáveis, esse reflexo é sempre vermelho). O segundo sinal mais comum é o estrabismo, ou seja, quando a criança tem um desvio no olhar.

Outros sintomas que podem aparecer são: vermelhidão, deformação do globo ocular, baixa visão, conjuntivite, inflamações e dor ocular.

– Quais sãos os perigos da doença quando se trata de perder a visão?

R.: Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a probabilidade de conseguirmos salvar os olhos e a visão das crianças com retinoblastoma. No final do tratamento, a grande maioria dos pacientes conseguem preservar ótimas capacidades visuais, já que é incomum tumores muito avançados em ambos os olhos.

Nos casos bilaterais, frequentemente apenas um dos olhos tem uma doença avançada, que evolui com sequelas visuais mais importantes. Nesses casos, o olho com doença menos avançada costuma ter um ótimo resultado visual e permite que a criança realize a maioria das atividades diárias normalmente, inclusive participar de esportes e dirigir na vida adulta.

– Existe prevenção ou cura para a doença? 

R.: Não existe método específico de prevenção para a doença. Como outros tipos de câncer, o diagnóstico precoce é essencial para melhorar as chances de cura e preservação da visão.
Enquanto o tumor está restrito ao globo ocular, é possível a cura em 99% dos casos. Quando a doença avança para outras regiões, como o sistema nervoso central por exemplo, a taxa de cura se torna muito mais baixa.

Todas as crianças devem passar por uma primeira avaliação oftalmológica completa, que inclua o exame de fundo de olho com a pupila dilatada, entre 6 meses e 1 ano de vida. Por ser uma doença que frequentemente envolve mutações genéticas herdadas em famílias com casos de retinoblastoma, as crianças devem ser avaliadas e acompanhadas desde o nascimento.

– Quais são os tipos de tratamento para o retinoblastoma?

R.: O tratamento do retinoblastoma é variado e feito de forma personalizada. Frequentemente, utilizamos uma combinação de diferentes modalidades de quimioterapia com intervenções realizadas diretamente no globo ocular, com lasers ou congelamento do tumor.
A quimioterapia pode ser a convencional, endovenosa – mais comumente utilizada nos casos de doença bilateral ou com risco de acometimento extraocular; a quimioterapia injetada dentro do globo ocular – em alguns casos selecionados; e a quimioterapia intra-arterial – que permite que dose altas de medicação sejam entregues diretamente na artéria que nutre o globo ocular afetado. Com ela (quimioterapia intra-arteria), é possível salvar olhos que antes seriam perdidos e evitar muitos dos efeitos adversos da quimioterapia convencional.

Já em casos de doença avançada, pode ser necessário fazer a remoção do globo ocular afetado, com reconstrução da órbita e adaptação de uma prótese para um bom resultado estético.

– E como funciona a quimioterapia intra-arterial?

R.: A quimioterapia intra-arterial é um procedimento multidisciplinar de alta complexidade. Envolve o radiologista intervencionista, oncologista pediátrico, anestesista, oftalmologista, farmacêutico e uma grande equipe de suporte. Nela, um micro cateter é introduzido desde a artéria femoral até a artéria oftálmica, responsável pela nutrição do globo ocular.

– Qual é o grande diferencial deste tipo de tratamento em relação as quimioterapias convencionais?

R.: Com essa técnica, altas doses de quimioterapia são entregues diretamente ao local do tumor, muito maiores do que na quimioterapia convencional. Além de resgatar olhos que seriam perdidos para a doença, ela nos permite evitar os efeitos sistêmicos da quimioterapia, como a queda do cabelo e da imunidade. Dessa forma, pacientes que perderiam o globo ocular ou a visão têm a chance de mantê-los, diminuindo ainda mais o risco de cegueira e os efeitos adversos do tratamento.

Mas é importante lembrar que: o tratamento do retinoblastoma é feito de forma personalizada, ou seja, cada caso é um caso e necessita de avaliação médica.

– O Hospital de Amor oferece, gratuitamente, o que há de mais avançado aos pacientes, inclusive nos tratamentos de retinoblastoma?

R.:  Sim! Como médico, é indescritível a sensação de podermos oferecer o que há de melhor no mundo para todos os nossos pacientes, de forma gratuita, humana e com amor. Cada história de luta e superação das quais podemos fazer parte nos relembra dos motivos que nos fizeram escolher estar aqui. Trabalhar em um local como esse nos impulsiona a ser cada vez melhor como profissional e como pessoa.

Retinoblastoma é um tumor raro, com cerca de 400 casos novos por ano.

Ação “De olho nos olhinhos”
Além de publicações semanais nos perfis oficiais da instituição durante todo o mês de setembro, trazendo conteúdos informativos sobre o tema, o Hospital de Amor também realiza uma ação especial para a população de Barretos (SP) e região. Nos dias 15 e 16/9, uma equipe de profissionais da unidade infantojuvenil do HA estará no North Shopping Barretos alertando, informando e conscientizando as pessoas para a importância do diagnóstico precoce do retinoblastoma. Cartazes e cartilhas serão entregues em todas as unidades de saúde administradas pela rede HA. Prestigie, apoie esta campanha e nos ajude nessa missão!

E se você é pai, mãe, avó, professora ou convive com crianças, fique atento aos sintomas de alerta para o retinoblastoma. Com a presença de qualquer um dos sinais, é imprescindível levar os pequenos para uma avaliação médica.

Independente da situação, o exame oftalmológico deve ser feito mesmo sem qualquer suspeita de comprometimento visual. Ao nascer: teste do olhinho; entre 6 meses e 1 ano de vida: primeiro exame oftalmológico completo; em torno de 3 anos de idade: segundo exame oftalmológico completo; entre 5 e 6 anos: novo exame oftalmológico; a partir daí: o exame oftalmológico terá a frequência dependendo da saúde visual da criança e o histórico familiar.

Esteja sempre “de olho nos olhinhos”!